Mão de homem apontando para palmas forrageiras (Foto: Cássio Moreira/Codevasf/Banco de Imagens)
A palma forrageira é usada por produtores como uma forma de diminuir a necessidade dos animais por água (Foto: Cássio Moreira/Codevasf/Banco de Imagens)
Tecnologia

Uma nova máquina fatiadora de palma

Pesquisadores da UFC desenvolveram equipamento que facilita trabalho de processamento da planta para alimentar gado

Pesquisadores do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Ceará desenvolveram uma máquina fatiadora de palma forrageira, planta de origem mexicana, comum no semiárido, que se adaptou bem ao sertão por sua alta capacidade de retenção de água. O uso da máquina facilita o trabalho dos pequenos criadores de gado, que enxergam na palma uma forma de amenizar a necessidade de água dos animais em épocas secas.

A planta é uma cactácea e consegue sobreviver bem aos longos períodos de estiagem, já que é constituída por 95% de água, sendo considerada por muitos pesquisadores como um “açude vertical”. Por isso, seu uso na agropecuária já é popular, servindo de alimento para os ruminantes, que passam a precisar de menos água para sobreviver durante a seca, quando comem a planta.

A fatiadora desenvolvida na UFC é considerada mais barata para os criadores do que equipamentos tradicionais e evita o trabalho manual dos produtores na hora de cortar a cactácea. Em uma hora, por exemplo, é possível obter 2 mil quilos de palma fatiada em pequenos pedaços, já próprios para o consumo do gado.

Máquina fatiadora de palma, azul e vermelha (Foto: Ribamar Neto/UFC)

Com o protótipo da máquina, os pesquisadores esperam conseguir parceiras com empresas para inserir o produto no mercado (Foto: Ribamar Neto/UFC)

Francisco Ronaldo Belem Fernandes, pesquisador e criador da máquina, explica que, mesmo já sendo comum o uso da palma para alimentação, os equipamentos utilizados para processar a planta são geralmente os mesmos usados no processamento de outras culturas, como capim e cana-de-açúcar.

O problema disso é que o resultado final acaba sendo uma massa pastosa, de pouca atratividade para o animal. “Além disso, há muita perda do material e de água”, explica Ronaldo, que desenvolveu o protótipo da fatiadora durante sua pesquisa de doutorado, sob orientação do Prof. Daniel Albiero.

Uma alternativa a essas máquinas é o trabalho manual de corte da planta, que apresenta poucas vantagens para o produtor. São problemas o tempo gasto no processo e o fato de a cactácea possuir muitos espinhos, que, mesmo não surtindo qualquer dano ao animal na hora da mastigação, podem ser um transtorno para humanos. “É um espinho que penetra na pele facilmente. Mas é mais difícil de sair, além de causar muita dor, por conta das escamas que possui”, diz Ronaldo.

O funcionamento do novo aparelho é simples: após o depósito da palma dentro da máquina, ela é fatiada por discos afiados de ferro (são 10 no total) dispostos em seu interior, saindo rapidamente pela outra ponta. O espaço consideravelmente largo entre um disco e outro é o que permite que a cactácea seja apenas cortada, não transformada em pasta.

Para utilizar a máquina, os pequenos produtores tem duas opções: a alimentação de energia por eletricidade ou pelo uso de veículos tratores. No segundo caso, o equipamento é acoplado ao trator, que faz girar o eixo que conecta os discos fatiadores.

Pesquisador Francisco Ronaldo Belem Fernandes ao lado da máquina fatiadora de palma (Foto: Ribamar Neto/UFC)

A máquina foi desenvolvida durante o doutorado do pesquisador Francisco Ronaldo Belem Fernandes (Foto: Ribamar Neto/UFC)

Essa invenção da UFC teve o registro de depósito da patente requerido pela Coordenadoria de Inovação Tecnológica (CIT) da Universidade no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Os pesquisadores esperam agora inserir o produto no mercado, através de parceria com a iniciativa privada, visando tornar o equipamento acessível aos pequenos produtores.

O diálogo com empresas interessadas no projeto ainda está em andamento, mas a expectativa é que não demore muito até os primeiros modelos começarem a ser vendidos.

Fonte: Prof. Daniel Albiero, do Departamento de Engenharia Agrícola – fone: 3366 9754 / e-mail: daniel.albiero@gmail.com